Muitos são os questionamentos de mulheres gestantes no consultório, pois sabe-se que durante a gravidez muitos medicamentos devem ser evitados.

As Drs. Juliana Almodin e Mariana Matioli do Centro de Oftalmologia Tadeu Cvintal, apresentaram pesquisa sobre este assunto em Congresso recente.

Com relação ao uso de colírios isto não é diferente, pois sabe-se que o transporte de substratos maternos para o embrião é estabelecido a partir da quinta semana de gestação e diversos medicamentos administrados à mãe são capazes de atravessar a placenta.

Durante a gestação o organismo materno passa por diversas modificações e a absorção de drogas se altera. Depois de absorvidas, as drogas podem ter seu metabolismo hepático alterado, decorrente dos elevados níveis hormonais. O volume sanguineo da gestante aumenta em torno de 40%, principalmente à custa de plasma, o que interfere na concentração terapêutica da droga.

No período da gravidez, também ocorrem mudanças oculares. A pressão intra-ocular (PIO) diminui, principalmente, durante a segunda metade, e tende a persistir por vários meses após o parto. Ocorre também uma diminuição da sensibilidade corneana com um leve aumento de sua espessura e curvatura, causando mudanças temporárias na refração, bem como intolerância ao uso de lentes de contato. Sabendo que a gravidez está associada a diversas mudanças envolvendo múltiplos órgãos, incluindo os olhos, não é tão simples decifrar o alcance de um colírio instilado nos olhos de uma mulher grávida.

O colírio aplicado no fundo de saco conjuntival é diluído prontamente pela lágrima e drenado pela via lacrimal de forma rápida.

Os tratamentos das afecções oculares em uma mulher grávida pode representar um desafio para o oftalmologista. Os estudos existentes são pequenos e com pouca estatística. Cabe ao médico ao preescrever um colírio a uma gestante, avaliar todos os riscos x benefícios e monitorar as condições maternas e fetais. Como regra geral, deve-se evitar o uso das drogas no primeiro trimestre , quando o risco é maior.


Referencia: Oftalmologia em Foco edição 133/2011.